Meu nome é Marcelo, moro na cidade de Montanha, no extremo norte do Estado do Espírito Santo, tenho 26 anos e já morei na casa dos meus avós, com minha mãe, irmã, tia e primos. A rua tinha muitas crianças, no fim da tarde, faltava espaço para os carros. Brincávamos de futebol, batata quente, pique-esconde, queimada, boca de forno, subíamos nas árvores e tantas outras brincadeiras.
Hoje moro com minha mãe e meu padrasto. Meu contato com a Igreja se deu com maior intensidade a partir da influência da minha avó. Ela me levava para a missa todo domingo, as vezes eu cochilava, mas precisava ficar o tempo todo sentado no segundo banco lá da frente junto com ela.
A minha família sempre se reúne em datas especiais: férias, carnaval, dia dos mães, semana santa, dia dos pais, natal e ano novo. A casa dos meus avós sempre se viu bem cheia nessas épocas. Se alguém passasse pela rua, pensava que estava tendo briga: todo mundo falando ao mesmo tempo, crianças correndo, som ligado, viola, primos brincando de baralho ou imagem & ação ou juntando dinheiro para comprar chup-chup.
Sempre fui um bom aluno, gosto de estudar. Estudei da 1ª a 4ª série, na mesma escola que minha mãe lecionava. Na 5ª série, fui para outra escola e no ensino médio, estava na mesma escola que minha irmã já estudava. E por falar na minha irmã, não entendíamos porque brigávamos tanto. Hoje enxergamos o motivo: somos muito parecidos. Moramos em casa separadas (eu em Montanha, ela em São Mateus), mas sempre quando a gente se vê, a gente se cuida, dá carinho e somos bem parceiros.
Fiz minha primeira eucaristia e daí comecei participar de tudo o que tinha na minha comunidade (Matriz). Na minha adolescência, comecei a participar do grupo de perseverantes, fazer missão, ir a encontros de outros grupos que trabalham com juventude, mas sempre tive vontade de participar do encontro de jovens, pois estar lá passava uma imagem de ‘gente crescida’.
Nos encontros da crisma, sempre eu ouvia que precisávamos assumir uma função na comunidade. Encontrando com a coordenadora do Grupo de jovens, Simone, perguntei quando teria encontro ou outra atividade. Isso eu perguntava sempre... Mas tava difícil acontecer.
Numa outra tentativa, ela me disse que teria um Retiro da PJ e fez o convite para que eu participasse e eu fui. Chegando lá, ela me apresentou como o novo coordenador do Grupo de Jovens da Matriz. Quase morri, mas aceitei... Isso foi em agosto de 1999.
Comecei a trabalhar num escritório de contabilidade no ano de 2000. Depois de alguns meses, sem perceber, eu já respondi por vários setores do escritório, sendo menor de idade. Meu patrão tinha vários problemas pessoais e em muitos dias, não aparecia no escritório.
Foi uma época muito boa, de muita aprendizagem. Mas por causa de problemas na comunidade, meu grupo acabou. Mas o processo de nucleação sempre recomeçava. Depois de um tempo, já estava na equipe paroquial
Cheguei aos encontros diocesanos, dois anos depois. Novo processo de descoberta, aprendizagem, formação e encantamento. Já não participava mais dos outros grupos, descobri o caminho que queria seguir.
Em 2002, fui estudar no Rio Grande do Sul: fazer Química. Paguei a inscrição do vestibular e estava organizando as coisas para minha viagem sem contar para minha mãe. Quando ela soube, tentou mudar minhas idéias, mas resisti. Não sabia o que iria encontrar pela frente. Cultura, clima, vida, rotina... tudo era diferente.
E minha vida começou a mudar a partir da universidade, passei a lecionar numa escola pública estadual e percebi que na verdade, queria ser professor!
Comecei a me empenhar a ajudar a coordenação da forania e também diocesana, participando dos encontros estaduais da PJ e de outros momentos fortes da caminhada, como o DNJ Estadual em 2003, em Vila Velha, com um número gigantesco de jovens. Paramos a cidade! Aprendi a ter orgulho de ser capixaba!
Viajar, participar de tantos encontros e reunião é muito bom. Mas os amigos e a família nem sempre entendem nossa ausência. Muitos aos poucos foram entendendo que é necessário, colocar a mochila nas costas e ir em busca de um ideal, daquilo que a gente acredita!
A PJ já não saia mais de minha vida. Em 2005, na volta do Fórum Social Mundial, conheci um pejoteiro (Juliano) da cidade de Ijui – RS (onde eu estudava Química). Ele me apresentou vários outros/as pejoteiros/as de lá. Fomos comer cachorro quente num dia e pude conhecer a vida pejoteira gaúcha.
Em agosto de 2005, o inesperado: perdi uma prima num acidente de trem. Ela morrer na hora e não estávamos preparados para esta notícia. Foi difícil dar a volta por cima. Não via sentido em mais nada. Me afastei um pouco de Deus e da Igreja.
Aos poucos no ano de 2006, fui retomando os trabalhos e minha vida. Em outubro de 2006, participei de um momento muito especial da PJ em minha diocese: o nosso DNJ diocesano que conseguiu atingir mais de 4000 jovens.
Em 2007, cheguei a coordenação diocesana da PJ. E pensei que como jovem que veio de uma cidade muito pequena, chegar esta instância, já era ter ido longe demais. E concluí também minha graduação. Estava muito feliz, com o fechamento de um ciclo e o início de outro em minha vida.
Busquei uma referência para direcionar os trabalhos, até que chego ao regional, no final de 2007. E em 2008, participei da Ampliada de Palmas. Como foi bom descobrir que existia vida pejoteira em todo o país. Conheci pessoas muito especiais que fazem parte da minha vida até hoje. A vida não é feita só de momentos bons e felizes, nesse mesmo ano, perdi meu avô. Que mesmo estando muito velhinho (92 anos) e doente, descobri que nunca estamos prontos para a perda. Ele nos faz muita falta.
Em 2009, participo do 9º Encontro Nacional da PJ e também me coloco a serviço da Coordenação Nacional da PJ, para que através da minha doação mais jovens tenham vida.
No final do ano passado, vivenciei outro lindo momento na diocese: nosso DNJ diocesano com mais de 7000 jovens pelas ruas da cidade de São Mateus, marchando contra a violência e extermínio de jovens.
Hoje acompanho um grupo de jovens, em outra comunidade. Nos reunimos para conversar, cantar, nos tornar mais amigos. Ajudo dentro das minhas possibilidades, a PJ da minha paróquia. No final do ano, uma nova coordenação diocesana assumirá esse lindo serviço e continuarei minha missão, acompanhando-os.
Esse ano nos preparamos para comemorar os 90 anos da minha amada avó. Acredito que será um momento muito lindo vivido por nossa família. No trabalho passo por um momento de expectativa, de fechamento de um ciclo.
Sei que posso e quero me doar cada dia mais, para que mais jovens se encantem pela Pastoral da Juventude e que com ela aprendam a se conhecer melhor, a conhecer o outro, a ser um bom cidadão e através do seguimento, amem cada vez mais, esse amigo jovem que é Jesus Cristo.
Hoje moro com minha mãe e meu padrasto. Meu contato com a Igreja se deu com maior intensidade a partir da influência da minha avó. Ela me levava para a missa todo domingo, as vezes eu cochilava, mas precisava ficar o tempo todo sentado no segundo banco lá da frente junto com ela.
A minha família sempre se reúne em datas especiais: férias, carnaval, dia dos mães, semana santa, dia dos pais, natal e ano novo. A casa dos meus avós sempre se viu bem cheia nessas épocas. Se alguém passasse pela rua, pensava que estava tendo briga: todo mundo falando ao mesmo tempo, crianças correndo, som ligado, viola, primos brincando de baralho ou imagem & ação ou juntando dinheiro para comprar chup-chup.
Sempre fui um bom aluno, gosto de estudar. Estudei da 1ª a 4ª série, na mesma escola que minha mãe lecionava. Na 5ª série, fui para outra escola e no ensino médio, estava na mesma escola que minha irmã já estudava. E por falar na minha irmã, não entendíamos porque brigávamos tanto. Hoje enxergamos o motivo: somos muito parecidos. Moramos em casa separadas (eu em Montanha, ela em São Mateus), mas sempre quando a gente se vê, a gente se cuida, dá carinho e somos bem parceiros.
Fiz minha primeira eucaristia e daí comecei participar de tudo o que tinha na minha comunidade (Matriz). Na minha adolescência, comecei a participar do grupo de perseverantes, fazer missão, ir a encontros de outros grupos que trabalham com juventude, mas sempre tive vontade de participar do encontro de jovens, pois estar lá passava uma imagem de ‘gente crescida’.
Nos encontros da crisma, sempre eu ouvia que precisávamos assumir uma função na comunidade. Encontrando com a coordenadora do Grupo de jovens, Simone, perguntei quando teria encontro ou outra atividade. Isso eu perguntava sempre... Mas tava difícil acontecer.
Numa outra tentativa, ela me disse que teria um Retiro da PJ e fez o convite para que eu participasse e eu fui. Chegando lá, ela me apresentou como o novo coordenador do Grupo de Jovens da Matriz. Quase morri, mas aceitei... Isso foi em agosto de 1999.
Comecei a trabalhar num escritório de contabilidade no ano de 2000. Depois de alguns meses, sem perceber, eu já respondi por vários setores do escritório, sendo menor de idade. Meu patrão tinha vários problemas pessoais e em muitos dias, não aparecia no escritório.
Foi uma época muito boa, de muita aprendizagem. Mas por causa de problemas na comunidade, meu grupo acabou. Mas o processo de nucleação sempre recomeçava. Depois de um tempo, já estava na equipe paroquial
Cheguei aos encontros diocesanos, dois anos depois. Novo processo de descoberta, aprendizagem, formação e encantamento. Já não participava mais dos outros grupos, descobri o caminho que queria seguir.
Em 2002, fui estudar no Rio Grande do Sul: fazer Química. Paguei a inscrição do vestibular e estava organizando as coisas para minha viagem sem contar para minha mãe. Quando ela soube, tentou mudar minhas idéias, mas resisti. Não sabia o que iria encontrar pela frente. Cultura, clima, vida, rotina... tudo era diferente.
E minha vida começou a mudar a partir da universidade, passei a lecionar numa escola pública estadual e percebi que na verdade, queria ser professor!
Comecei a me empenhar a ajudar a coordenação da forania e também diocesana, participando dos encontros estaduais da PJ e de outros momentos fortes da caminhada, como o DNJ Estadual em 2003, em Vila Velha, com um número gigantesco de jovens. Paramos a cidade! Aprendi a ter orgulho de ser capixaba!
Viajar, participar de tantos encontros e reunião é muito bom. Mas os amigos e a família nem sempre entendem nossa ausência. Muitos aos poucos foram entendendo que é necessário, colocar a mochila nas costas e ir em busca de um ideal, daquilo que a gente acredita!
A PJ já não saia mais de minha vida. Em 2005, na volta do Fórum Social Mundial, conheci um pejoteiro (Juliano) da cidade de Ijui – RS (onde eu estudava Química). Ele me apresentou vários outros/as pejoteiros/as de lá. Fomos comer cachorro quente num dia e pude conhecer a vida pejoteira gaúcha.
Em agosto de 2005, o inesperado: perdi uma prima num acidente de trem. Ela morrer na hora e não estávamos preparados para esta notícia. Foi difícil dar a volta por cima. Não via sentido em mais nada. Me afastei um pouco de Deus e da Igreja.
Aos poucos no ano de 2006, fui retomando os trabalhos e minha vida. Em outubro de 2006, participei de um momento muito especial da PJ em minha diocese: o nosso DNJ diocesano que conseguiu atingir mais de 4000 jovens.
Em 2007, cheguei a coordenação diocesana da PJ. E pensei que como jovem que veio de uma cidade muito pequena, chegar esta instância, já era ter ido longe demais. E concluí também minha graduação. Estava muito feliz, com o fechamento de um ciclo e o início de outro em minha vida.
Busquei uma referência para direcionar os trabalhos, até que chego ao regional, no final de 2007. E em 2008, participei da Ampliada de Palmas. Como foi bom descobrir que existia vida pejoteira em todo o país. Conheci pessoas muito especiais que fazem parte da minha vida até hoje. A vida não é feita só de momentos bons e felizes, nesse mesmo ano, perdi meu avô. Que mesmo estando muito velhinho (92 anos) e doente, descobri que nunca estamos prontos para a perda. Ele nos faz muita falta.
Em 2009, participo do 9º Encontro Nacional da PJ e também me coloco a serviço da Coordenação Nacional da PJ, para que através da minha doação mais jovens tenham vida.
No final do ano passado, vivenciei outro lindo momento na diocese: nosso DNJ diocesano com mais de 7000 jovens pelas ruas da cidade de São Mateus, marchando contra a violência e extermínio de jovens.
Hoje acompanho um grupo de jovens, em outra comunidade. Nos reunimos para conversar, cantar, nos tornar mais amigos. Ajudo dentro das minhas possibilidades, a PJ da minha paróquia. No final do ano, uma nova coordenação diocesana assumirá esse lindo serviço e continuarei minha missão, acompanhando-os.
Esse ano nos preparamos para comemorar os 90 anos da minha amada avó. Acredito que será um momento muito lindo vivido por nossa família. No trabalho passo por um momento de expectativa, de fechamento de um ciclo.
Sei que posso e quero me doar cada dia mais, para que mais jovens se encantem pela Pastoral da Juventude e que com ela aprendam a se conhecer melhor, a conhecer o outro, a ser um bom cidadão e através do seguimento, amem cada vez mais, esse amigo jovem que é Jesus Cristo.
“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”